Amores (Im)Possíveis

Contos de Amor

Capa: Amores (Im)Possíveis
Edições:Livro Capa Comum (Portuguese) - 1ª Edição: R$ 25,00
ISBN: 978-85-99267-72-1
Tamanho: 14,00 x 21,00 cm
Páginas: 384

Todos procuram um amor. Todos mesmo. Até os vilões, afinal, não existe amor ruim. Mas será que todos os amores são possíveis? Amores (im)possíveis traz a essência do amor em diversos contos, que retratam a alegria da conquista, o desespero da perda, o prazer em ser correspondido, a angústia em ser rejeitado... Afinal, existe sentimento mais controverso do que o amor?

Conto "Palavras Proibidas" ~ Lílil é uma succubus, um demônio da luxúria e como senhora da sedução ela sempre gostou de perturbar Mitzrael, um belo anjo de Deus. Porém, quando demônios infernais ouvem-na fazer uma jura de amor, eles a levam ao submundo, para ser punida. Ela nunca deveria ter dito as palavras proibidas... Aquele era o fim. Haveria uma maneira de se salvar ou seu destino era realmente morrer por amor?

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Editora: Editora Andross
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Amores (Im)Possíveis ~ Contos de Amor

 

Trecho do Conto "Palavras Proibidas"

 

Desde a criação da humanidade há milênios, anjos e demônios lutavam pelas almas dos homens a fim de salvá-las ou destruí-las, respectivamente. Os seres angélicos eram poderosos, mesmo os mais simples mensageiros, então os Caídos, sob a influência de Lúcifer, iniciaram uma nova tática para as batalhas futuras: o aumento de seu exército! Ao contrário dos anjos, os demônios se multiplicavam de forma frenética, principalmente com a ajuda de Lílith.

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E ali, diante de Mitzrael, estava uma das filhas de Lílith, uma soberana no submundo, considerada a Rainha do Inferno! Como a mãe, ela era um demônio da luxúria que seduzia os homens e os levava a se entregar ao sexo de maneira desenfreada, tornando o prazer a coisa mais importante em suas vidas. Além de se alimentarem da energia sexual de seus parceiros humanos, essas criaturas eram responsáveis por arrastá-los para um caminho sombrio.

Aquela não era a primeira vez que a via, na verdade chegava a incomodá-lo a quantidade de vezes que aquele demônio de linda aparência entrava em seu caminho, sempre o provocando, brincando com ele de forma irritante. Já havia lutado com ela algumas vezes, mas a maldita era escorregadia e conseguia fugir — ou era salva — antes que pudesse, de fato, matá-la.

— Qual o seu objetivo? — Mitzrael perguntou, fuzilando-a com o olhar. Era óbvio que a intenção dela era atrapalhá-lo, mas parecia existir algo mais...

Para a surpresa do anjo, um sorriso bonito, sem vestígios de ironia, sarcasmo ou malícia, surgiu nos lábios cheios e avermelhados dela. Os dois estavam em um parque no centro da cidade, e sob a luz do luar seus cabelos negros brilhavam, e sua pele, quase toda exposta, demonstrava uma maciez e beleza que faziam os homens ficarem loucos para tocá-la. Porém ele não era um humano e não podia ser afetado pela aura sensual que ela exalava.

— Responda — exigiu.

A succubus alargou o sorriso diante da autoridade presente na voz e na postura de Mitzrael. Dispensou alguns instantes para apreciar o porte atlético, os cabelos loiros encaracolados e os olhos azuis que pareciam em chamas devido à irritação provocada por sua presença. E ela parecia gostar disso, de saber que o incomodava, que de alguma forma aquele anjo não era imune a sua pessoa, embora não fosse difícil para ele destruí-la... Na verdade, aquele mensageiro de Deus parecia nunca usar seu real poder quando lutavam.

— Lílil... — a succubus sussurrou suavemente.

— O quê? — Mitzrael piscou confuso com aquela resposta.

— Eu me chamo Lílil, Mitz! — ela sorriu sabendo que ele odiaria o apelido e precisou conter uma risada divertida quando viu que o anjo quase praguejou.

— Saia do meu caminho — ordenou.

— Não. Estou aqui porque decidi dizer-lhe algo importante e não vou embora antes disso. — Lílil disse determinada a revelar o porquê de sempre segui-lo, embora soubesse que isso poderia significar a sua morte.

— Então esta noite eu irei destruí-la, filha de Lílith!

As asas brancas se abriram, resplandecendo, e seu brilho cegou por um momento o demônio, que cobriu parcialmente os olhos, sentindo a pele queimar sob a luz pura e divina. Em segundos, Mitzrael eliminou a distância entre os dois, sua mão direita a envolvendo pelo pescoço, enquanto a esquerda reunia poder para aniquilá-la.

O mero toque causou-lhe dor, mas Lílil não se incomodou com isso... Já previa que aquela seria a reação dele e preferia perecer por aquelas mãos a ser torturada por outros demônios até o fim dos tempos. Mesmo diante da morte, ela não podia deixar de admirá-lo e sentir todo o seu corpo e essência vibrarem com os sentimentos que Mitzrael despertava nela... Sentimentos estes que a succubus não queria mais esconder.

— Eu amo você! — Lílil declarou baixinho por causa do aperto em sua garganta, vendo o choque no rosto do anjo.

A surpresa e descrença dele também eram esperadas por ela. Mesmo Lílil se perguntou por muito tempo se era possível, afinal era um demônio, nascida no inferno com o único objetivo de desencaminhar os homens, porém a cada vez que se indagava a respeito a filha de Lílith se convencia de que era possível. Como todas as criaturas, ela possuía livre-arbítrio e era bem diferente dos Caídos originais, que nunca se arrependiam ou mudavam de opinião por estarem completamente convictos de que estavam certos em seu caminho.

— Eu te amo... — Lílil repetiu sem reagir em nenhum momento.

Mitzrael, que até então permaneceu sem reação, estremeceu de forma quase imperceptível. Havia ficado surpreso e também indignado com a declaração de Lílil, com aquela brincadeira de mau gosto, mas quando a ouviu repetir aquelas palavras, havia tanta sinceridade na voz e nos olhos dela — uma sinceridade que não podia ser falsa — que por um momento o anjo não soube o que fazer. Seus olhos azuis estavam fixos nos verdes dela, e a luz que ele emanava cessou no mesmo instante em que a soltou.

Lílil caiu sentada no chão e tocou o próprio pescoço, erguendo o olhar para vê-lo... Para entender por quê. Mitzrael parecia perturbado, confuso, quase... Quase com medo? Ela piscou, tentando compreender o que via nos olhos azuis, quando ele bateu as asas, desaparecendo em direção ao céu, deixando-a sozinha.

A succubus suspirou e fechou os olhos, permanecendo quieta por alguns minutos antes de se levantar, tirando pequenas folhas do tecido transparente que envolvia seu voluptuoso corpo, as joias que adornavam seus pulsos, colo e ventre brilhando sob a luz do luar. Lílil ainda não entendia a ação de Mitzrael. Por que ele a deixou? Por que não a destruiu como disse que faria? E... O que foi aquilo que viu nos olhos dele?

— Então você o ama? — a voz cavernosa saiu arrastada e cheia de um deleite maldoso, que causou um frio na espinha da succubus.

— O que fazem aqui? — Lílil perguntou com a expressão impassível, escondendo seu temor pelo que eles ouviram.

— Sua mãe não vai gostar disso, sua danadinha! — a risada cruel e deleitosa deixava claro que ele diria a Lílith sobre sua transgressão... Sobre as palavra proibidas que ela proferiu, e para um anjo!

— Não sei do que está falando! Estou apenas tentando fazer mais um cair.

Para aqueles demônios, que, ao contrário de Lílil, tinham uma aparência grotesca e monstruosa, pouco importava se ela dizia a verdade ou não, queriam apenas subjugá-la e se deleitar no prazer que aquele corpo delicioso poderia proporcionar. Não era permitido a eles ou a qualquer criatura infernal tocar em Lílith ou em qualquer uma de suas succubus sem permissão e todos sempre faziam de tudo para agradá-las só para receber um mísero toque ou poder apenas beijar os pés delas, pois elas eram a personificação do prazer sexual, e isso era algo que ansiavam completamente.

Levados pelo desejo de possuí-la sem restrições, aqueles demônios a cercaram, arrastando-a de volta para o inferno a fim de receber sua punição, que seria como um presente para eles. Pouco importaram as ameaças ou ataques, em pouco tempo Lílil estava trancafiada, à espera de seu julgamento.

ESCONDER

Lançado na 3ª Edição do Livros em Pauta ~ Congresso de Literatura, Quadrinhos, RPG e Outras Mídias Nerds no dia 19 de Outubro de 2013, que foi realizado na Faculdade Estácio UniRadial (Campus Jabaquara) localizado na Avenida Jabaquara, nº 1870, Bairro Saúde em São Paulo/SP.

O lançamento das Antologias da Editora Andross ocorreu de 15:30h às 19:00h com direito a sessão de autógrafo com os autores, além de palestras e debates sobre os mais variados assuntos.

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